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Saturday, January 22, 2011

Caixas de comentários


As caixas de comentários de sites muito visitados estão para a internet mais ou menos como os esgotos estão para as cidades. É absolutamente deprimente ler a maioria do que se escreve nas caixas de comentários de sites como o Expresso ou o Público.

A internet é uma das coisas mais fantásticas que surgiram nos últimos anos, mas, como é evidente tudo tem problemas. Em particular, a maioria das pessoas olha para a internet como um meio para se comportarem de uma forma que não podem fazer na realidade: protegidas pelo facto de já não serem pessoas umas para as outros, mas meros nome (reais ou fictícios, é praticamente irrelevante), dizem as maiores barbaridades que lhes vêm à cabeça.

Descobrem-se, pois, as coisas mais assustadoras quando se lêem este tipo de caixas de comentários. Por exemplo, o insulto fácil dirigido às pessoas, e não aos seus argumentos, ocorre constantemente nas crónicas dos comentadores dos jornais. Da mesma forma, ler as notícias sobre a morte de Carlos Castro é igualmente assutador: ninguém parece minimamente preocupado com o facto de ter havido um assassinato brutal, voando apenas comentários homofóbicos em todas as direcções.

Sempre que há notícias sobre ciência, a situação também não é a melhor: a crise parece ser desculpa para ignorar o conhecimento. Ainda há pouco tempo, quando se noticiava um eclipse, os comentários eram do estilo "eles é que nos eclipsam o dinheiro todos os meses!". Vontade de discutir alguma coisa minimamente relacionada com as noticias científicas simplesmente não existe, dominando o impulso de mandar umas bocas básicas que desprezam o conhecimento científico.

E outras coisas preocupantes descobrem-se: por exemplo, Mourinho é odiado por muitos em Portugal. A mim acusam-me muitas vezes de não ser patriota porque estou constantemente a chamar a atenção para o que está mal em Portugal. Contudo, sou-o completamente naquilo que é relevante: em particular, chamo muitas vezes a atenção para os extraordinários exemplos que Portugal tem no estrangeiro, seja na arte, na ciência, no desporto, ou em qualquer área.

Mourinho é um dos expoentes máximos desse sucesso, transportando consigo muitas coisas que a maioria dos portugueses não tem nem quer ter: vontade, ambição, trabalho, dedicação, esforço e, consequentemente, sucesso. No entanto, apesar de aparentemente os portugueses se orgulharem de Mourinho, quando se lêem as caixas de comentários de noticias sobre derrotas suas (ou situações em que Mourinho sai prejudicado), percebe-se que existe um grande ódio secreto (motivado por inveja?) ao treinador português.

Ora aqui está um problema que ou se corta pela raiz (acabar com os comentários nos sites sérios) ou que dificilmente terá fim à vista...

Thursday, December 23, 2010

Para que serve a exploração espacial?


Porque vamos explorar o espaço se há pessoas a morrer à fome na Terra?

Esta pergunta é de vez em quando colocada por variadas pessoas (por exemplo, por Saramago), embora não faça qualquer sentido. Há muito dinheiro mal gasto na Terra (em guerras, por exemplo), porque não perguntar antes se o vamos continuar a gastar quando há pessoas a morrer à fome? E na Terra também se faz investigação científica, não é só no espaço; como tal, para quem coloca a questão acima, porque não usa também toda a investigação científica sem aplicabilidade imediata para o seu argumento?

A resposta parece-me evidente: para fazer uma metáfora mais bonitinha. Ao opor-se desta forma o que está longe e o que está perto, e dizendo que se chega mais facilmente ao primeiro, talvez se ache que se está a usar uma poderosa metáfora. Infelizmente, quem o faz não se apercebe de que ao colocar a questão assim, preto no branco, separando desta forma redutora os supostos problemas importantes (os que estão perto) dos supostos problemas irrelevantes (os que estão longe), só está a ser absolutamente demagógico e simplista.

Para quê, então, explorar o espaço? Na minha opinião, há uma razão que se sobrepõe a todas as outras: pelo conhecimento. Pela mesma razão que criámos a História ou a Ciência, pela vontade de conhecer, seja o passado ou o mundo que nos rodeia. Não faz sentido que essa busca pelo conhecimento deva ter critérios diferentes se for feita na Terra ou fora dela, a não ser na cabeça de quem se usa da exploração espacial para fazer expor os seus argumentos de forma demagógica.

Felizmente, há ainda outras razões para fazer investigação em espaço, incluindo imensas aplicações úteis no imediato para a sociedade. Para dar a conhecer essas aplicações ao público, a NASA editou um documento (pode ser lido aqui) onde explica como tecnologias utilizadas para exploração espacial acabaram por ter aplicações em diversas áreas, desde a medicina até aos transportes.

Não se deve, no entanto, cair no erro de achar que toda a investigação que se faz deve ter aplicabilidade imediata. A maioria da investigação faz-se para aumentar o saber. Só depois de se conhecer é possível entender que benefícios poderá trazer.

Thursday, October 14, 2010

Vitória da Ciência, da Tecnologia e da Humanidade

Terminou esta madrugada uma extraordinária operação de resgate no Chile, de 33 mineiros que ficaram presos no fundo de uma mina durante mais de 2 meses. Todos os mineiros chegaram sãos e salvos à superfície, depois de um trabalho de aproximadamente 24 horas, em que um a um foram retirados na cápsula Fénix, cujo funcionamento pode ser entendido aqui.

Este resgate foi uma vitória suprema da ciência e da tecnologia, através das quais foi possível, até em menos tempo do que o previsto, fazer todos os cálculos e perfurações necessárias para que a sonda Fénix pudesse chegar lá abaixo em condições. Entretanto, fora também possível manter alimentados os 33 mineiros a mais de 600 metros de profundidade.

Apesar de tudo, há ainda aqueles que acham que a ciência não passa de uma construção social com tanta validade como qualquer outra, e de interesse discutível. Para esses, tenho duas sugestões que lhes podem mostrar que estão errados. A primeira é ler o seguinte excerto do livro de António Manuel Baptista, O Discurso Pós-Moderno Contra a Ciência:
Quanto àqueles sociólogos da ciência mais ligados ao chamado constructivismo social, que proclamam que a ciência não tem qualquer estatuto de objectividade diferente de outras convenções ou construções sociais, um bom conselho será de não viajarem de avião. Poderão escolher o tapete voador ou qualquer sistema mágico (aliás menos poluente e não facilmente transformável em míssil contra arranha-céus), pois existe o risco que, quando estejam voando, os cientistas consensualmente convencionarem que, afinal estão erradas as teorias e as experiências em que se baseia a mecânica e aerodinâmica da aviação. Nesta altura, evidentemente, de acordo com os constructivistas sociais, o avião cai.
Finalmente, a segunda sugestão: abram os olhos e olhem à vossa volta.

Esta vitória da ciência e da tecnologia trouxeram-nos outra: uma vitória que é de toda a humanidade. Não deixa de ser comovente para todos nós ver estes mineiros subir à superfície, após dois meses debaixo de terra. Quem acusa a ciência e a tecnologia de frias e sem ligação ao ser humano, aqui tem um exemplo de que não é esse o caso. A ciência está intimamente ligada com a esperança e com o salvamento de vidas.

Friday, September 10, 2010

Energia Nuclear


Por alguma razão estranha, o tema da energia nuclear é tabu em Portugal. Repare-se que não se trata de recear o nuclear, mas sim o próprio debate! Sempre que surge, é rapidamente descartado como algo obscuro e mau, apesar de quase todos os países desenvolvidos utilizarem este tipo de energia. Eu não sei se ela seria útil para Portugal, mas sei uma coisa: debatê-la seria.

A propósito deste tema, a crónica do professor Carlos Fiolhais para a última edição do Sol resume o que há a dizer. Pode ser lida aqui, no De Rerum Natura.