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Tuesday, February 1, 2011

"Os Portugueses e a Investigação Científica"


O Câmara Clara (programa da RTP2) desta semana foi dedicado à ciência. Durante uma hora, Paula Moura Pinheiro esteve à conversa com Carlos Fiolhais, professor de física na Universidade de Coimbra e um dos principais divulgadores de ciência em Portugal, e com Maria Mota, investigadora de topo na área da biologia e da medicina.

A ciência está a crescer em Portugal. São cada vez mais os investigadores portugueses que são reconhecidos internacionalmente, e Maria Mota é precisamente um desses exemplos. Ainda não estamos no topo, mas estamos no bom caminho.

Por outro lado, há uma coisa em Portugal que está de certa forma relacionada com a ciência, e que está longe de estar bem ou no bom caminho: a educação (apesar da subida nos últimos resultados do PISA, mas irá obedecer a uma tendência nos próximos anos?). É na escola que se deve iniciar e incentivar o gosto pela ciência, mas o que se vê é que muitos estudantes saem do ensino básico a detestar a ciência. Claro que, como refere Carlos Fiolhais no programa, "o que eles conhecem não é ciência, mas uma caricatura da ciência". Sim, é verdade que temos muitos - e cada vez mais - investigadores de topo; no entanto, a ciência deve ser partilhada por todos, pois "a ciência que é oculta não é ciência".

Finalmente, existe também uma relação entre ciência e democracia: a liberdade para "ousar descobrir", a meritocracia, a avaliação rigorosa, são valores de ambas. "Com a ciência apenas podemos não estar salvos, mas sem a ciência estamos definitivamente perdidos", concluiu Carlos Fiolhais.

Foi destes e de outros temas que se falou neste extraordinário programa, que pode ser visto aqui.

Wednesday, October 27, 2010

Espalhafato televisivo


Foi com expectativa que comecei a ver o primeiro episódio da série America - The Story of Us, de momento a passar no canal História em Portugal, às sextas-feiras pelas 22h. No entanto, não sabia nada sobre a série, pelo que as minhas expectativas se deviam unicamente ao facto de ser sobre a história dos Estados Unidos, da qual sou um grande admirador.

Contudo, ao fim de poucos minutos torna-se claro que tudo não passa de espalhafato televisivo com conteúdo que não vai além do superficial, sobressaindo os efeitos CGI despropositados (sendo a maioria tecnicamente rasca), a condução narrativa pseudo-dramática sem a mínima profundidade, planos e efeitos de montagem para show-off, e uma narração feita de frases bombásticas e clichés para encher o ouvido (só no primeiro o episódio, há 4 ou 5 eventos que o narrador descreve dizendo que "o que se vai passar a seguir mudará o rumo da História", com voz enigmática e profunda).

É pena.

Tuesday, October 12, 2010

Idade da Reforma

O Estado Social voltou a estar em debate no Plano Inclinado do passado sábado, novamente com o professor João Cantiga Esteves como convidado. Do programa, destaco a excelente análise que este fez do que se passa com a idade da reforma em França, para que se aproveite para fazer uma reflexão sobre o mesmo tema em Portugal.
Neste momento, [em França] está a haver uma luta incrível em que a reforma média de um francês é aos 59 anos quando a esperança de vida está nos 83 anos. Isto é que é egoismo, isto é que é totalmente anti-solidário. Como é que é possível vir para a rua manifestar-se para defender uma reforma aos 59 anos com a esperança de vida aos 83?! Isto é a coisa mais anti-solidária que há, anti-geracional, que obviamente não pode acabar bem. E acham que têm direito! Isto é absolutamente fantástico!

E nós também. O nosso problema não é tão grave, mas os franceses vão de facto ter muitos problemas com esta atitude. Porque realmente há aqui um problema inter-geracional. Naturalmente que a dívida pública é já o dinheiro das próximas gerações, e os dados são absolutamente inacreditáveis. E como é que se persiste, como é que vão para a rua em manifestações enormes?!

(...)

De facto há aqui um problema inter-geracional, porque há aqui uma geração que está a querer beneficiar disto o mais possível, sem querer a mínima contenção, e em total desrespeito pelas próximas gerações.
Aqui fica o programa completo.


Thursday, October 7, 2010

Triste

Não estava em Portugal na altura em que foi exibido o último programa da primeira série do Plano Inclinado, e por isso só há uns dias me lembrei de assistir. O convidado era Carvalho da Silva, o que por um lado me deixou motivado para ver a capacidade de argumentação de Medina Carreira face a alguém com quem certamente iria discordar muito, mas por outro deixou-me também de pé atrás porque não aprecio discursos que só se encaixam num mundo de ilusão em que certamente não vivemos.

No que diz respeito à primeira, confirmei infelizmente o que já esperava. Medina Carreira pode dizer muitas coisas acertadas sobre o estado do país e comunicá-las de forma certeira ao público geral, mas não tem uma capacidade extraordinária da argumentação em debate, pois não consegue formar um discurso que toque especialmente nos pontos que dificultariam o seu adversário, mantendo-se sempre no seu discurso habitual como se estivesse simplesmente numa entrevista só com Mário Crespo.

Quanto à segunda, pior do que o discurso datado de Carvalho da Silva, que é de quem ainda vive num mundo pré queda do Muro de Berlim, foi a falta de respeito e de educação que mostrou perante os seus colegas da mesa, sobretudo para com o professor João Duque. Recorrendo à intensidade sonora que deve ter aprendido nos comícios, monopolizou totalmente o programa. Medina Carreira, que tem facilidade em impor a sua palavra, conseguiu deixar a sua opinião bem explícita; mas o professor João Duque, que mantém sempre o respeito e não tem por hábito interromper os outros, teve que conviver com a falta de educação do convidado.

Uma tristeza.

Tuesday, October 5, 2010

O Estado Social em debate



É absolutamente obrigatório assistir ao primeiro programa da nova série do Plano Inclinado, agora só com Medina Carreira e mais um convidado, que neste caso foi o professor João Cantiga Esteves. O tema foi o Estado Social, e por isso mesmo é tão fundamental assistir a estes 50 minutos: de todas as mentiras que a classe política vai repetindo há decadas, esta é uma das mais graves.

Fala-se do Estado Social como se fosse uma garantia que milhões de portugueses vão para sempre receber (independentemente de haver dinheiro ou não), como se fosse meramente uma questão ideológica e não técnica (isto é, se não há dinheiro não pode haver Estado Social, por muito que se goste de exibir uma ideologia de esquerda) e ignorando completamente a conjuntura económica global em que estamos inseridos.

Por isso, quando se diz a verdade acerca deste tema na televisão, é importante que ela seja vista e ouvida pela maioria das pessoas, para que possam ter consciência das mentiras que a classe política vai inventando, eternamente entretida numa luta entre "somos de esquerda" e "somos de direita" que não tem significado a não ser no mundo de fantasia onde a maioria dos políticos portugueses vivem. Como dizia há uns dias o Frei Fernando Ventura numa extraordinária entrevista com Ana Lourenço que o professor Norberto Pires divulgou aqui,
Temos sentados no poder gente peneirenta, da esquerda à direita. Continuamos atavicamente e estupidamente a pensar em critérios políticos de direita e de esquerda. Isto já não existe. Está podre. Acabem com isso. É ridículo. É folclore. Não temos dinheiro para pagar folclore.
E ainda a propósito desta questão da falência do Estado Social enquanto o conhecemos, recomendo a leitura deste texto intitulado A revolução liberal da Suécia que Henrique Raposo escreveu hoje para o seu blog no Expresso, ou, preferencialmente, deste artigo em que se baseia.

Nestes textos é possível entender como a Suécia salvou o seu Estado Social fortíssimo, muito característico dos países nórdicos, da crise económica. Não foi com esta conversa que temos cá de investimentos públicos megalómanos, do estado controlar tudo e da escola pública dominar sem deixar qualquer papel para as famílias. Pelo contrário: atribuição de cheque-ensino para que os pais possam escolher a escola dos filhos, semi-privatização da segurança social e uma economia liberal e flexível são exemplos de medidas que o Governo de centro-direita, agora reeleito, tomou nos últimos anos. Os suecos perceberam que estes são factores que podem gerar riqueza para sustentar o Estado Social, tornando-os a 2ª economia mais competitiva do mundo de acordo com o Global Competitiveness Report de 2010.

Pelo contrário, a grande maioria dos países do Sul da Europa continua a insistir num modelo que, como é possível perceber neste último programa do Plano Inclinado, está destinado à falência. Até quando vamos insistir?

Tuesday, September 21, 2010

The Pleasure of Finding Things Out

Num comentário no YouTube, pode-se ler que Richard Feynman "is the genius and the ordinary man in one person". Identifiquei-me com esta opinião porque, de facto, se por um lado Feynman é um dos maiores génios da física, por outro nunca se cansa de abordar, em livros, entrevistas e palestras, os temas mais mundanos, sobre os quais qualquer ser humano se questiona.

Há vários exemplos disso, desde o famoso livro Surely You're Joking, Mr. Feynman! ao Meaning of It All. Neste caso, assisti a uma entrevista intitulada The Pleasure of Finding Things Out, cujo primeiro video está no final deste post (tem um total de cinco).

Aqui, Feynman aborda diversos temas, desde a electrodinâmica quântica, a que chamou "the jewel of all physics", a temas muito menos científicos e próximos da pessoa comum, que aprendeu (a maioria deles) com o seu pai: por exemplo, a importância do desrespeito (não seguir sempre a autoridade) e o desprezo pelas honras, títulos e uniformes (que não fazem as pessoas diferentes).


Friday, September 3, 2010

Carlos Fiolhais no 5 Para a Meia-Noite


Carlos Fiolhais, um dos grandes divulgadores de ciência em Portugal, esteve no dia 31 de Agosto no programa 5 Para a Meia-Noite, onde foi entrevistado por Fernando Alvim. Com a sua habitual boa disposição, falou de ciência, do tamanho do Universo, de experiências pessoais da sua vida, e da mais recente moda que anda a enganar milhares de pessoas - as pulseiras do equilíbrio.

O programa pode ser visto integralmente aqui.

Monday, August 30, 2010

A Personal Voyage

O maior divulgador de ciência ao público geral que o mundo já viu é principalmente conhecido pela série Cosmos, que passou nas televisões nos anos 80. Para além disso, Carl Sagan é autor de inúmeros livros sobre ciência e não só. Um deles deu o título a este blog.

Contudo, por muito que essa série seja conhecida, a maioria das pessoas que nasceram depois da sua exibição na televisão nunca tiveram oportunidade de assistir. Por isso, deixo aqui um resumo de várias cenas da série, feito por um utilizador do youtube.

Muitas das minhas cenas preferidas estão ausentes, mas a escolha de cenas não deixa de ser boa, permitindo ter uma ideia geral sobre o tom e o estilo tão característico com que Sagan transmite a ciência ao público. A forma apaixonada com que fala sobre os assuntos (tão apaixonada que a série tem como subtítulo A Personal Voyage) faz com que o seu fascínio passe de forma contagiante para o espectador.

Esta é uma viagem pessoal que todos deviam acompanhar.


Thursday, July 22, 2010

Educação em Plano Inclinado

O Plano Inclinado do passado sábado foi sobre educação, tendo como convidada a professora Rosário Gama. Deste programa, cujo video se encontra abaixo, gostaria de destacar três momentos, que me parecem especialmente relevantes.

O primeiro tem que ver com uma frase dita por Rosário Gama em que chama a atenção para o facto de testes facilitistas não distinguirem alunos. Um exemplo: na sua escola, alguns professores mais exigentes vêem as notas dos alunos subirem nas avaliações externas. Aqui, alunos de 13 e 14 passam a 18 e 19, o que faz com que desapareça a distinção estes alunos e os alunos que já têm excelentes notas. Isto é preocupante por duas razões: é injusto e um desincentivo para os melhores alunos e não reflecte o estado da educação nas estatísticas.

Outra coisa interessante que Rosário Gama refere, embora pareça paradoxal, acaba por ser verdade. A professora diz que os alunos gostam dos professores exigentes. Medina Carreira desconfia, mas Nuno Crato confirma que é verdade, e explica muito bem porquê. Num reino onde a balda é a regra, os alunos percebem que onde há exigência vale a pena trabalhar porque de facto aprende-se alguma coisa. Com os professores baldas, pode ser tudo muito divertido ao início, mas pouco depois torna-se óbvio de que tudo aquilo é uma perda de tempo irrelevante. Da minha experiência enquanto estudante, também confirmo, de uma forma geral, o que foi dito pela professora Rosário Gama.

Finalmente, há um dado importante sobre a importância dos exames. Rosário Gama diz que o estudo dos alunos é melhor quando são avaliados por exames. É verdade. O interesse dos exames nacionais não é só avaliar de forma justa e igual todos os alunos de Portugal. É também obrigá-los a estudar de forma séria, aumentando o grau de aprendizagem e de conhecimento.


Sunday, July 18, 2010

Plano Inclinado com Alexandre Soares dos Santos

O Plano Inclinado do passado sábado, com Alexandre Soares dos Santos, presidente do conselho de administração do grupo Jerónimo Martins, foi excelente. Soares dos Santos falou, essencialmente, sobre a importância das empresas privadas, porque é que não se investe mais em Portugal, e, finalmente, sobre a necessidade de chamar a atenção da sociedade civil para os problemas do país, para que se exija que medidas sérias sejam tomadas, e não apenas medidinhas que só têm em vista a presente legislatura.